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5 - História da Epistemologia

Precursores da Ciência

Babilônia

A Babilônia, capital da antiga Suméria, localizava-se na Mesopotâmia, região hoje ocupada pelo Iraque.

Mesopotâmia

Nela teria sido erigida a famosa Torre de Babel.

Mesopotâmia

Mais especificamente, situava-se na região entre os rios Tigre e Eufrates.

Mesopotâmia

Eram bastante avançados em Astrologia e Astronomia.

Possuíam observatórios astronômicos, nos quais registraram durante muitos anos as posições dos planetas e principais estrelas em tabelas. Graças a esse volume de dados, eles foram mesmo capazes de prever eclipses.

Foram os criadores do Zodíaco, com as constelações que conhecemos.

Criaram o sistema sexagesimal que utilizamos até hoje para os ângulos e as horas.

Usavam um sistema numeral posicional e utilizavam tabelas de cálculo.

Conheciam o número ¶, para o qual, utilizavam a aproximação 3+1/8=3,125

Egípcios

O antigo Egito, terra das pirâmides, localizava-se, como até hoje, no norte da África.

Egito

Uma das primeiras grandes civilizações, ficou eternizada pela construção das Pirâmides e da Esfinge.

Egito Pirâmides

Um dos fatores de estabilidade e progresso da civilização egípcia foi sua adaptação às cheias periódicas do Rio Nilo que garantiram excedentes de colheitas agrícolas, permitindo intercâmbio comercial e, consequentemente riqueza monetária e cultural

Apesar do pouco uso do ferro, em parte explicável por sua agricultura relativamente fácil, que não demandava implementos agrícolas, dominaram o uso do granito e já conheciam a fabricação do vidro desde 1500 a.C.

Vale lembrar que a sua Biblioteca de Alexandria, fundada por Ptolomeu II no sec. III a.C. e destruída 1.500 anos depois por Teófilo I, patriarca (uma espécie de papa da Igreja Ortodoxa) de Alexandria, contava com cerca de 1 milhão de pergaminhos! Sobre ela, Carl Sagan dizia que "Este lugar foi, em tempos, o cérebro e a glória da mais importante cidade do planeta, o primeiro instituto de investigação da história do mundo".

Egito Antiga Biblioteca de Alexandria

Vale também mencionar, novamente,:

  • o papiro de Golenishchev (mais conhecido como Papiro de Moscou, escrito circa 1850 a.C.) que inclui várias fórmulas para cálculos de volumes;
  • o papiro de Ahmes (Rhind) (circa 1650 a.C.) que inclui progressões aritméticas, Álgebra, Geometria, unidades de medidas, contabilidade, quebra-cabeças;
  • o papiro Edwin Smith (circa 1600 a.C.), um verdadeiro tratado de Medicina, apresenta uma abordagem racional e científica da medicina no Antigo Egito;
  • o papiro de Ebers (escrito no Antigo Egito circa 1550 a.C.), outro texto de Medicina, incluindo fórmulas mágicas e remédios populares além de uma descrição precisa do sistema circulatório.
Egito Papiro de Rhind

Por outro lado, o Egito é considerado o berço lendário da Alquimia, já que pode derivar etmologicamente do árabe al-Khem, a partir do antigo nome do Egito.

Questões abertas

Há, no entanto, algumas questões abertas na História da Ciência, tais como 

Lâmpadas de Dendera

As supostas ilustrações de ‘lâmpadas’ no interior do Templo de Dendera, no Egito, por isso conhecidas como lâmpadas de Dendera. No entanto, Frank Dörnenburg (2004) analisou e desmentiu essa possibilidade.

Egito lâmpada de Dendera

O pássaro de Saqqara

pássaro de Saqqara é um objeto de madeira com forma de pássaro descoberto em 1898 num túmulo na cidade de Saqqara, no Egito. Alguns autores consideram que, em vez de ser um objeto ritual ou um brinquedo, ele seja uma maquete ou modelo de aeroplano (!).

Egito Pássaro de Saqqara

No entanto, testes efetuados por Martin Gregorie (2002), veterano de competições internacionais de aeromodelos, indicaram que ele não tem qualidades aerodinâmicas para tal.

A bateria de Bagdá

bateria de Bagdá é um vaso de argila, contendo uma barra de ferro dentro de um cilindro de cobre, tudo lacrado hermeticamente com betume e com sinais de ter sido preenchido com vinagre, descobertos em 1936 numa vila próxima à cidade de Badgá, no atual Iraque.

Bateria de Bagdá
Bateria de Bagdá

Embora sua construção relembre uma moderna bateria e testes efetuados tenham mostrado que ela poderia ter sido usada como uma bateria, não há provas de que efetivamente tenha sido usada como uma bateria (FROOD, 2003).

Máquina de Anticítera

A Máquina de Anticítera é um complexo dispositivo em bronze encontrado fragmentado em 1901 na costa da ilha grega de Anticítera, próximo a Creta.

Máquina de Anticítera

Análises posteriores mostraram tratar-se de um computador analógico astronômico construído por volta do séc. 2 a.C. composto por cerca de 30 engrenagens, algumas delas engrenagens diferenciais que se supunham ter sido inventadas apenas no séc. XVI, com um nível de complexidade e miniaturização equivalente a um relógio do século XVIII. (FAPESP, 2006)

Máquina de Anticítera

Veja aqui uma animação em Java desta máquina

China

Já discutimos alguns aspectos da Ciência chinesa numa seção anterior.

Grécia Clássica

Os gregos eram grandes indagadores.

Até o séc. VII a. C., buscavam o conhecimento no mito, principalmente em Homero e Hesíodo, como também já mencionamos antes.

Com o comércio com outros povos, no entanto, os gregos se apercebem que os mitos não são universais e que seu conhecimento de senso comum era inadequado, pois era incompatível com o de outros povos.

Sentiram, então, a necessidade do conhecimento obtido pela razão, o qual deve verificável e, portanto, universal.

Os primeiros filósofos dedicavam-se a um conjunto de indagações, tais como 

  • como as coisas existem,
  • o que é o mundo,
  • o que é o Ser?,

mas sem uma preocupação maior com o conhecimento enquanto conhecimento, partindo da pressuposição de que se pode conhecer o Ser.

Para os gregos, a Criação consistia numa imposição de ordem num Caos primordial. Buscavam, portanto, a ordenação de princípios fundamentais que regulam todos os objetos e ações da Natureza (Leis?), tinham grande preocupação com a Ordem, o que se reflete em sua arquitetura.

Razão áurea - Partenon

Buscavam uma unidade, um princípio universal, a partir do qual se tinha formado toda a matéria do Universo.

  • Tales de Mileto indicou a água;
  • Anaximandro de Mileto definiu um ápeiron;
  • Anaxímenes escolheu o ar;
  • Xenófones de Cólofon escolheu a terra;
  • Heráclito de Éfeso escolheu o fogo.

Tales de Mileto (624-546 a.C.)

TalesO primeiro nome que se destaca na Filosofia grega é o de Tales, nascido em Mileto.
Mileto

Conforme dito numa seção anterior, Tales era Fenício por parte de mãe (isto é, asiático) e estudou no Egito, antes de começar a enunciar seus pensamentos na Grécia. (EMEAGWALI, 1989)

Aplicações práticas

Diz uma lenda que um dia, andava olhando para o céu, caiu num buraco e, por isso, foi ridicularizado por ser incapaz de coisas práticas. Diz, também, a lenda que tendo previsto uma grande safra de azeitonas para o ano seguinte, arrendou todos os lagares de azeite da região e, com isso, ficou rico, provando que seu conhecimento tinha aplicações práticas.

Eclipse de Tales

Segundo outra lenda, certa vez, Tales conseguiu dissuadir os medos e os lídios de uma guerra, dizendo-lhes que Zeus não queria a guerra e que escureceria os céus para mostrar o seu descontentamento. Os babilônicos conheciam o Ciclo de Saros: os eclipses do sol e da lua tendem a repetir-se a cada 223 meses lunares. Tales sabia de um eclipse havido no Egito no ano 603 a.C. e pode aplicar esse ciclo a ele. O céu realmente escureceu e não houve guerra. Tal como outros depois dele, Tales sabia que conhecimento é poder.

É bem conhecido o teorema das paralelas, conhecido como Teorema de Tales, com que teria medido a altura das pirâmides, aliás, num argumento para sua estada no Egito.

Teorema de Tales
Tales transformou a Geometria de um aglomerado de noções esparsas, em um sistema lógico e coerente, sendo, assim, um predecessor de Euclides.

Tales foi o primeiro filósofo grego a buscar uma explicação naturalística para o mundo, abandonando os mitos, rejeitando a tradição pela inquirição, uma pesquisa ordenada dos fatos e razões lógicas, uma investigação, por assim dizer, 'científica'.

Para Tales, o princípio universal era a água, possivelmente porque se manifesta nos três estados da matéria e porque a umidade é essencial à vida. É possível, também, supor aí uma possível influência da sua estada do Egito, onde pode ter tido contato com o Enuma elish e com os escritos sobre Toth, que, como visto na seção anterior, sugerem a criação do mundo a partir de uma umidade.

estados físicos da água

Heráclito de Éfeso (550-480 a.C.)

HeráclitoHeráclito acreditava que os contrários se equilibram e a harmonia entre eles é a razão universal, o Logos, que rege os planos cósmicos e humanos. É, por isso, considerado o pai da dialética, método filosófico baseado no foco na contraposição e análise das idéias opostas e contraditórias (tese, antítese, síntese).

Heráclito entendia a realidade do mundo como um "fluxo perpétuo" de mudança dos seres; acreditava na harmonia dos contrários, que não se cansam de se transformar uns nos outros, tal como no conceito do yin-yang chinês.

Yin Yang

Para ele, o Universo é uma eterna transformação. Tal como tantos autores de auto-ajuda de hoje, dizia que "a única coisa que não muda é a mudança".

Considerava que o princípio universal era o fogo.

Parmênides de Eléia (515-440 a.C.)

ParmênidesParmênides era um dos principais representantes do Eleatismo, a doutrina dos filósofos da Escola de Eléia.

É considerado o fundador da metafísica ocidental baseada na sua distinção entre o Ser e o não-Ser; mantinha a concepção de que "o Ser existe e o não-Ser não existe" que, embora aparentemente óbvia, foi fundamental para o desenvolvimento da Filosofia.

Parmênides acreditava também que somente se poderia pensar sobre aquilo que permanece sempre igual; para ele, conhecer é alcançar o idêntico, o imutável. Neste ponto, opõe-se a Heráclito, para quem não havia nada imutável. 

Por outro lado, acreditava, também, que o mundo sensível, que podemos perceber com nossos sentidos, é ilusório e que, portanto, não se pode confiar no que se vê.

Demócrito de Abdera (460-370 a.C.)

DemócritoDemócrito, discípulo de Leucipo, desenvolveu a teoria do atomismo, embora as escolas indianas JainistaÁjivika and Chárvaka propusessem algum tipo de atomismo já no século 6a.C.

Considerava a natureza composta por átomos, partículas individuais, eternas e imutáveis. Dizia que "nada nasce do nada" e acreditava que toda a realidade é constituída necessariamente por átomos.

Com isso, todos os seres surgiriam por composição destes átomos, transformando-se por novos arranjos atômicos e morrendo por sua separação.

Assim, essa teoria explicaria vários fenômenos

  • a água seria formada por átomos ligeiramente esféricos, já que escoa facilmente;
  • a terra seria formada por átomos cúbicos, uma vez que é estável e sólida;
  • o ar seria formado por átomos em movimento turbilhonantes, como nos ventos;
  • o fogo seria formado por átomos pontiagudos, já que o fogo fere;
  • os sólidos seriam formados por átomos com ganchos que os uniriam e dariam solidez;
  • a alma seria formada pelos átomos mais lisos, mais delicados e mais ativos que existem;
  • a respiração era considerada uma troca de átomos, em que átomos novos substituem átomos usados;
  • o sono seria o desprendimento de pequeno número de átomos do corpo;
  • o coma seria o desprendimento de um número médio de átomos do corpo;
  • a morte seria desprendimento de todos os átomos do corpo e da alma.

Demócrito acreditava que somente o pensamento pode conhecer os átomos, invisíveis às percepções sensoriais, estabelecendo uma diferença entre o que se conhece peia percepção e o que se conhece pelo pensamento.

Sofistas

Os sofistas concluíram que, embora não se possa conhecer o Ser, pode-se ter opiniões sobre a realidade, logo, para eles, a verdade seria uma questão de opinião e de persuasão sendo a linguagem mais importante do que a percepção e o pensamento.

Rejeitavam, com isso, a busca de um princípio universal.


Veja também este vídeo

Legendas da Ciência
A contribuição científica da China, da Índia e do mundo árabe-islâmico


História da Epistemologia - Parte 4Continue a conhecer a História do Pensamento.

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Citar esta página:
dos SANTOS, Renato P. . In Física Interessante. 4 Aug. 2014. Disponível em: <>. Acesso em: .

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Renato P. dos Santos